Webinar Ex Módulo 4: Perguntas e Respostas – Parte 1

Pergunta:

Um equipamento “Ex” pode ter seu certificado prorrogado por um Organismo de Certificação, após o vencimento da validade?

Resposta:

De acordo com a legislação, vigente no Brasil, sobre avaliação da conformidade de equipamentos “Ex”, os certificados de conformidade dos equipamentos “Ex” possuem um prazo de validade, definidos pelos Organismos de Certificação, que emitem os certificados “Ex”.  Em muitos casos,  os prazos de validade são “atrelados” aos prazos de validade dos certificados de Sistemas de Gestão da QualidadeSGQ (ABNT NBR ISO 9001) do fabricante, de forma a evitar que um equipamento “Ex” possa ser comercializado em uma eventual situação de perda de certificação do SGQ  por parte do fabricante.

Quando o prazo de um certificado de conformidade “Ex” está próximo ao vencimento, o fabricante do equipamento “Ex” e o Organismo de certificação iniciam o processo de “revalidação”, de “renovação” ou de “atualização” do certificado. Estas ações se iniciam alguns meses antes do vencimento do certificado, de forma que haja tempo para a realização das avaliações e auditorias ou novos ensaios laboratoriais necessários, e a emissão de uma nova revisão do certificado, antes da data do vencimento do certificado “atual”.

Durante esse processo, o Organismo de Certificação executa avaliações e auditorias no fabricante, de forma a assegurar que o produto certificado esteja de acordo com os requisitos técnicos especificados nas Normas da Série ABNT NBR IEC 60079, aplicáveis aos tipos de proteção existentes no produto “Ex”. São auditados também o SGQ do fabricante, de forma a assegurar que os produtos “Ex” fabricados atendam aos requisitos técnicos e legais.

Enquanto os produtos “Ex” e o seu respectivo fabricante “Ex” atenderem aos requisitos técnicos e de gestão da qualidade aplicáveis, os certificados de conformidade podem continuar sendo “revalidados”, “renovados” ou “atualizados”.

Caso existam modificações ou atualizações nas Normas da Série ABNT NBR IEC 60079, aplicáveis aos tipos de proteção existentes no produto “Ex”, estas atualizações também são avaliadas, de forma a verificar a necessidade de realização de eventuais novos ensaios laboratoriais para confirmação do atendimento por parte dos produtos “Ex”, os quais podem necessitar, eventualmente, de serem atualizados em relação aos seus requisitos de projeto, dimensionamento ou fabricação.

Sob o ponto de vista dos usuários, deve ser verificado, nos respectivos processos de compra, que os equipamentos “Ex” tenham sido fabricados em uma data na qual o certificado de conformidade se encontrava “válido”, de forma a assegurar que o SGQ do fabricante também estava vigente naquela época do processo de fabricação.

Os detalhes dos requisitos sobre a validade dos certificados de conformidade “Ex”, emitidos no Brasil, são apresentados nos regulamentos e documentos legais vigentes, que abordam os requisitos de avaliação da conformidade (RAC) de produtos “Ex” destinados a instalação ou utilização em atmosferas explosivas, contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis.

 

Pergunta:

Um equipamento “Ex” com EPL Gb ou Gc que seja exposto continuamente a uma atmosfera explosiva, pode provocar uma ignição. Qual a condição de segurança após 2 falhas?

Respostas:

De acordo com os requisitos das Normas da Série ABNT NBR IEC 60079, aplicáveis aos tipos de proteção “Ex”, um equipamento “Ex” com EPL Gb (nível de proteção alto) é adequado para operação normal e mesmo em casos de severas condições operacionais, é adequado também para operação com distúrbios de ocorrência frequente ou equipamento onde uma falha de dispositivos é normalmente levada em consideração.

Por outro lado um equipamento “Ex” com EPL Gc (nível de proteção elevado) é adequado para operação em condições normais.

Desta forma, os equipamentos com EPL Gb ou Gc são, de forma geral, são adequados respectivamente para instalação em áreas classificadas dos tipos Zona 1 ou Zona 2.

Equipamentos “Ex” com EPL Gb ou Gc não são adequados para instalação em áreas classificadas do tipo Zona 0 porque não proporcionam um nível de proteção “muito alto”,  que é requerido para este local de instalação onde a atmosfera explosiva possa estar presente, de forma contínua.

Para que os equipamentos “Ex” sejam considerados como proporcionando um nível de proteção muito alto (EPL Ga) é requerido que eles possuam dois tipos de proteção “Ex” independentes ou que eles possam ter uma operação segura, mesmo quando da ocorrência de duas falhas de dispositivos, independentemente uma da outra.

Pode ser citado como exemplo de equipamento com  tipos de proteção “Ex” independentes, o equipamento que atenda aos requisitos de invólucros à prova de explosão (Ex “d”) e que atenda, também, de forma independente do invólucro Ex “d”, os requisitos do tipo de proteção por segurança aumentada (Ex “e”).

Neste exemplo, caso as características de proteção Ex “d” tenham sido indevidamente invalidadas, por exemplo, devido a desvios de serviços de campo de montagem, manutenção ou reparo, as características do tipo de proteção Ex “e” ainda assegura a operação segura do equipamento, sob o ponto de vista de evitar que ele represente uma fonte de ignição. De forma análoga, caso as características de proteção Ex “e” tenham sido indevidamente invalidadas, por exemplo, devido a desvios de serviços de campo de montagem, manutenção ou reparo, as características do tipo de proteção Ex “d” ainda asseguram a operação segura do equipamento, sob o ponto de vista de evitar que ele represente uma fonte de ignição.

Com relação à ocorrência de duas falhas simultâneas e independentes em um equipamento “Ex” com EPL Ga, pode ser citado, como exemplo, as barreiras de segurança intrínseca [Ex ia Ga]. Estes equipamentos são fabricados com uma redundância de dispositivos eletrônicos, de forma assegurar a continuidade de proteção, mesmo no caso de ocorrência de duas falhas nos componentes relacionados com a segurança intrínseca. Os diodos do tipo zener, por exemplo, que asseguram o controle de tensão do circuito Ex “i” de campo, são instalados de forma “tripla”, para assegurar que o circuito continue com o seu necessário controle de tensão, mesmo na ocorrência de suas falhas independentes de diodos.

Os detalhes sobre os critérios de avaliação, ensaios e certificação de equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações “Ex” (incluindo os EPL Ma, Mb, Ga, Gb, Gc, Da, Db ou Dc) para instalação em áreas classificadas, contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, estão especificados nas respectivas Normas Técnicas Brasileiras adotadas da Série ABNT NBR IEC 60079 – Atmosferas explosivas.

 

Pergunta:

O EPL proporcionado pelo equipamento “Ex” tem que ser comprovado em ensaio de laboratório ou trata-se de apenas um “conceito adicional de segurança” para o equipamento “Ex”?

Resposta:

Os requisitos de EPL muito alto, alto ou elevado são verificados pelo Organismo de Certificação no processo de avaliação e certificação dos produtos “Ex”.

Em caso de necessidade de realização de ensaios laboratoriais para esta avaliação, estas ações são também executadas pelo Laboratório, de forma que os respectivos relatórios de ensaios “Ex” sirvam de base para a avaliação do Organismo de Certificação.

Desta forma,  o EPL é atribuído a um equipamento “Ex” com base em avaliações e ensaios físicos ou práticos, e não somente do ponto de vista “conceitual” de proteção contra o risco de o equipamento representar uma fonte de ignição em área classificada, contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis.

Os detalhes sobre os critérios de seleção de equipamentos “Ex” elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações em áreas classificadas (incluindo os EPL Ma, Mb, Ga, Gb, Gc, Da, Db ou Dc), contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, estão especificados na Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-14 – Atmosferas explosivas – Parte 14 – Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas.

 

Pergunta:

Quais são as características de equipamentos “simples” que não precisam de certificação “Ex”?

Resposta:

Equipamentos “simples” são considerados aqueles que não armazenam uma quantidade significativa de energia, em função de suas características de capacitância, indutância, tensão, corrente ou potência.

Podem ser citados como exemplos de componentes “simples” os contatos eletromecânicos, sinaleiros LED ou bornes terminais.

Caso um equipamento “simples” seja protegido por um circuito intrinsecamente seguro, inserido em um circuito que contenha uma barreira de segurança intrínseca [Ex “i”], por exemplo, em um circuito com uma tensão nominal de 20 V, eles não necessitam possuir certificação “Ex”, de acordo com os requisitos especificados nas Normas Técnicas Brasileiras ABNT NBR IEC 60079 – Partes 11, 14 e 25.

Faz parte das responsabilidades dos projetistas ou usuários de equipamentos e instalações “Ex” assegurar que um equipamento “simples”, sem certificação, não armazene uma quantidade significativa de energia e que está protegido por um circuito intrinsecamente seguro.

Caso um equipamento “simples” não seja protegido por um circuito intrinsecamente seguro, por exemplo, em um circuito com tensão nominal de 220 V, este equipamento deve ser protegido por algum tipo de proteção “Ex” e, portanto, deve possuir um certificado de conformidade.

Os detalhes sobre os critérios de seleção de equipamentos “Ex” elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações em áreas classificadas (incluindo os equipamentos “simples”) a serem instalados ou utilizados em áreas classificada,  contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, estão especificados na Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-14 – Atmosferas explosivas – Parte 14 – Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas.

 

Respostas às perguntas feitas pelos participantes no Webinar “Ex” – Módulo 4 – Seleção de equipamentos “Ex” de acordo com a classificação de áreas e Grau de proteção proporcionado pelos invólucros (Códigos IP), realizado no dia 15/07/2021.

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