Webinar Ex Módulo 2: Perguntas e Respostas – Parte 3

Pergunta:

Para o caso de poeiras, existe caracterização de limites de explosividade similares aos gases? Pergunto, pois parece que nas fotos mostradas aquele acúmulo de poeira sobre motores está acima do limite de explosividade (em função da quantidade). É correto pensar dessa forma?

Resposta:

De fato, as Normas sobre classificação de áreas contendo poeiras combustíveis, como a Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR IEC 60079-10-2 (Atmosferas explosivas – Parte 10-2: Classificação de Áreas – Poeiras combustíveis) especificam que as áreas devem ser consideradas como “classificadas” dependendo da presença ou não de “nuvens” de poeiras combustíveis.

Diversos exemplos de classificação de áreas que são apresentados em Normas aplicáveis são elaborados com base em que um sistema efetivo de limpeza (house keeping) tenha sido implantado nas instalações industriais, de forma a evitar o acúmulo de camadas de poeiras combustíveis. Nas instalações onde um efetivo sistema de limpeza não estiver presente, a classificação de áreas inclui a possível formação de uma atmosfera explosiva decorrente das camadas de poeiras.

Na elaboração da documentação de classificação de áreas, é considerado que no interior de equipamentos de processo em que as poeiras combustíveis são processadas, frequentemente não é possível evitar a formação de camadas de poeiras com espessuras não controladas, uma vez que estas fazem parte do processo.

No entanto, externamente aos equipamentos de processo, a espessura das camadas de poeira necessita ser controlada por procedimentos de limpeza, e o nível de limpeza deve ser determinado, para a determinação da classificação de áreas.

Nos locais onde possa haver o acúmulo de camada de poeiras sobre os equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação, de telecomunicação ou mecânicos, estas áreas são consideradas como áreas classificadas (Grupo III) estes equipamentos devem possuir um tipo de proteção “Ex” adequado para poeiras combustíveis, como Ex “t”, Ex “i” Ex “p”, Ex “op”, 2-WISE ou Ex “m”.

 

Pergunta:

Grandes fatores de acúmulo de poeiras explosivas dentro das empresas é a deficiência nos sistemas de exaustão. A isto seria importante uma normatização nesta área para contribuir na diminuir os riscos?

Resposta:

De fato, em locais externos aos equipamentos de processo deve ser evitada a ocorrência de grandes camadas de poeiras combustíveis, uma vez que estas camadas podem levar à ignição, devido ao seu aquecimento acima da temperatura de ignição ou devido a seu levantamento para a formação de uma nuvem de poeira, decorrente, por exemplo, de uma explosão em local próximo.

Por este motivo, as condições que podem causar as camadas de poeiras a serem levantadas para formar uma nuvem de poeira, como ventilação, vento ou outras condições, necessitam ser levadas em consideração durante a classificação de áreas.

Existem diversas normas que tratam de classificação de áreas contendo poeiras combustíveis, como a ABNT NBR IEC 60079-10-2 (Atmosferas explosivas – Parte 10-2: Classificação de áreas – Atmosferas de poeiras explosivas) ou NFPA 499 (Recommended Practice for the Classification of Combustible Dusts and of Hazardous (Classified) Locations for Electrical Installations in Chemical Process Areas).

Nestas normas são especificados requisitos para se evitar a formação de camadas de poeiras combustíveis, as quais podem dar origem a explosões e acidentes catastróficos, como por exemplo, a utilização de sistemas de exaustão, utilização de equipamentos “estanques” à liberação de poeiras ou procedimentos de limpeza.

Além de requisitos normativos existem também requisitos “legais” elaborados pelo Corpo de Bombeiros dos diversos estados que tratam especificamente de locais contendo poeiras combustíveis, como por exemplo a Instrução Técnica Nº 27/2018Armazenamento em silos, elaborado pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, que especificam, dentre outros requisitos de segurança e proteção, a instalação de sistemas de exaustão e de supressão de explosão em áreas classificadas contendo poeiras combustíveis.

 

Pergunta:

O Senhor mostrou equipamentos de detecção de multigás para detecção de gases. Teria detector para poeiras combustíveis?

Resposta:

De fato existem no mercado equipamentos, dispositivos e instrumentos (fixos ou portáteis) de medição de concentração, granulometria (tamanho das partículas), temperatura e umidade de poeiras combustíveis, de forma similar como existem detectores de gases inflamáveis (também denominados de detectores “multigás” ou detectores “quatro gases”).

Não cabe aqui citar marcas, modelos ou fabricantes, por envolver desnecessariamente questões comerciais.

No entanto, as características e especificações técnicas destes produtos podem ser facilmente encontradas por meio de simples busca na Internet, com a utilização de termos como “dust measuring device” ou “continuous dust concentration monitor” ou “opacímetro” ou “gas and dust measurement” ou “dust monitor” ou “dust sensor” ou “particulate monitoring” ou “handheld dust monitor”.

 

Pergunta:

Qual seria o grupo do Etanol?

Resposta:

As informações físico-químicas do Etanol (CAS 64-17-5) podem ser encontradas nas respectivas FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos).

De acordo com a FISPQ da PETROBRAS, por exemplo, o Etanol se enquadra no Grupo IIA para concentração volumétrica igual ou abaixo de 97 % (concentração de água igual ou maior que 3 %) e eventualmente no Grupo IIB para concentração volumétrica acima de 97 % (concentração de água menor que 3 %).

Estas informações estão indicadas também na tabulação de características físico-químicas apresentadas na Norma Técnica Brasileira adotada ABNT NBR ISO/IEC 80079-20-1 – Atmosferas explosivas – Parte 20-1: Características de substâncias para classificação de gases e vapores – Métodos de ensaios e dados (2020).

https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=446987

Como o etanol hidratado comercializado no Brasil possui um teor de água de cerca de 5 %, este produto é considerado no Grupo IIA. Somente o etanol anidro (ou álcool etílico anidro), utilizado na mistura com a gasolina e para outras finalidades específicas, como na fabricação de tintas, vernizes, solventes, bebidas destiladas, entre outros produtos, com teor de água da ordem de 0.5 % é considerado no Grupo IIB (MESG < 0.9).

 

Respostas às perguntas feitas pelos participantes no Webinar “Ex” – Módulo 2 – Classificação de áreas, realizado no dia 13/05/2021.

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