Leia a entrevista com Roberval Bulgarelli

Roberval Bulgarelli, você é um dos maiores especialistas em áreas classificadas, do mercado brasileiro. Conta para a gente: Quando iniciou sua carreira profissional? Quais foram os caminhos que percorreu para chegar até aqui?
Iniciei minha carreira profissional na Receita Federal, no início dos anos 1980, como Agente de Controle de Carga no Porto do Santos, onde estava envolvido com inspeções de cargas em armazéns portuários, como por exemplo, estocagem de nitrato de amônio. Desde aquela época já trabalhava em locais contendo áreas classificadas, como por exemplo nos terminais de carregamento de gasolina em navios, armazéns de açúcar, soja, enxofre e fertilizantes e em silos de armazenamento de farinha de trigo, que são atmosferas explosivas formadas por gases inflamáveis ou poeiras combustíveis.
Após esta função ingressei na Petrobras, ainda no início dos anos 1980, por concurso público, passando a trabalhar como Operador de Processamento na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, onde estava envolvido diretamente com equipamentos e instalações em áreas classificadas, operando equipamentos de processo de grande porte como bombas, compressores, tanques, vasos, reatores, trocadores de calor, torres de fracionamento e sistemas de tratamento de derivados de petróleo. Durante este período estive envolvido diretamente com diversas situações de risco, como necessidade operação em locais com a existência de perdas de contenção de equipamentos de processo e de vazamento de produtos inflamáveis, com trabalhos em locais com a presença de atmosferas explosivas.
Após alguns anos atuando como Operador de Processamento fui promovido, por meio de concurso, à Função de Inspetor de Equipamentos, envolvido e atuando nas áreas de Ensaios Não Destrutivos (END), metalurgia, procedimentos de soldagem, deterioração de materiais, pintura, corrosão, e inspeção de equipamentos de processo durante as paradas programadas para manutenção das Unidades Operacionais de uma Refinaria de Petróleo.
Após a conclusão de minha graduação em Engenharia Elétrica, por meio de concurso público, foi reposicionado na Petrobras, no final dos anos 1980, como Engenheiro de Equipamentos, assumindo vaga na área de Materiais, no Edifício Sede, no Rio de Janeiro, onde estive envolvido com processos de compra de diversos equipamentos de processo e equipamentos elétricos, em especial equipamentos para atmosferas explosivas.
Após um período de trabalho no Edifício Sede da Petrobras, ainda no final da década de 1980, retornei para a Refinaria de Cubatão, onde iniciei trabalhos de campo nas áreas de Engenharia de Manutenção e de Projetos Elétricos, A partir daquela época passei a conhecer na prática e com detalhes os problemas dos equipamentos e instalações elétricas e de instrumentação em áreas classificadas, bem como as soluções a serem implantadas para combater a “normalização dos desvios “Ex” existentes no campo, em termos de elaboração de novas especificações técnicas de equipamentos “Ex” com novas tecnologias de proteção, elaboração de novas especificações de serviços de campo para montagem e inspeção de equipamentos “Ex” e elaboração de requisitos de treinamentos das pessoas envolvidas com a execução, supervisão ou fiscalização de serviços de campo em áreas classificadas.
Naquela Refinaria de Cubatão tive a oportunidade de trabalhar também nas áreas de Empreendimentos para a Construção de novas e grandes Unidades de Tratamento de Diesel e de Gasolina, incluindo a presença de hidrogênio (Grupo IIC). Nestes trabalhos tive a oportunidade de aprender e desenvolver, no início dos anos 1990, especificações técnicas “pioneiras” na Petrobras, como grandes sistemas de instrumentação em segurança intrínseca, equipamentos com invólucros plásticos em segurança aumentada (Ex “e”) e motores elétricos síncronos e de indução bem como luminárias do tipo não acendível (Ex “n”), iniciando ações para a necessária quebra de antigos “paradigmas culturais” existentes até então no Brasil, oriundos das décadas de 1930 e 1940, onde todos os equipamentos tinham que possuir invólucros metálicos do tipo “à prova de explosão”.
Desde o início dos anos 1990 tenho estado envolvido com os requisitos de certificação compulsória de equipamentos elétricos para atmosferas explosivas, tendo desenvolvido procedimentos para exigência contratual de apresentação dos certificados juntamente com as propostas técnicas, bem como critérios para a aceitação ou não de certificados de conformidade que são fornecidos em diversos processos de compra de produtos elétricos e mecânicos “Ex”.
Ao longo deste período atuei também no sentido de criar procedimentos para as empresas usuárias no sentido de receber e cadastrar os certificados de conformidade dos equipamentos “Ex” em seus sistemas eletrônicos de documentação técnica, no sentido de estabelecer o necessário “inventario” dos equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações certificados, os quais devem ser submetidos a inspeções periódicas a cada três anos.
Desde o final dos anos 1990 estive envolvido com a elaboração de Normas Técnicas da PETROBRAS e da ABNT sobre o tema “Atmosferas Explosivas”, período também em que iniciei minhas atividades como membro de Comissões de Estudo do Subcomitê SC 31 do Cobei (Atmosferas explosivas).
Desde o início dos anos 2000 fui indicado para ser representante do Brasil nas reuniões do TC 31 da IEC, onde são elaboradas as normas internacionais da IEC sobre o tema “atmosferas explosivas”, atuando em diversos Grupos de Trabalho para a elaboração ou atualização de diversas Normas Técnicas Internacionais, em particular das sobre mais voltadas para as atividades dos usuários finais dos equipamentos e instalações “Ex”, com classificação de áreas, projeto de instalações, seleção de equipamentos, montagens, inspeção, manutenção, reparo e recuperação de equipamentos “Ex”.
Em 2003 fui indicado e eleito para ser o Coordenador do Subcomitê SCB 003:031 (Atmosferas explosivas), Coordenando seis Comissões de Estudo que até o presente momento já elaboraram ou atualizaram mais de 100 Normas Técnicas Brasileiras das Séries ABNT NBR IEC 60079 e ABNT NBR ISO 80079, as quais representam a adoção, pelo Brasil, sem desvios nacionais, das respectivas normas internacionais elaboradas pelo TC 31 da IEC.
A partir de 2003 fui indicado como membro da Comissão Técnica “Ex” do Inmetro, responsável pela elaboração e atualização do regulamento brasileiro existente sobre certificação de equipamentos “Ex”.
Participei em 2008 da fundação do Subcomitê SC IECEx BR do Cobei e do processo e trabalhos para a aprovação no Brasil no IECEx, em 2009, para ingressar naquele sistema internacional de avaliação da conformidade “Ex” da IEC. Desde então tenho sido indicado como representante do Brasil em diversos Grupos de Trabalho do IECEx para a elaboração e aperfeiçoamento dos esquemas de certificação de empresas de serviços “Ex” e de competências pessoais “Ex”.
Em 2012 fui indicado para ser o Coordenador do Grupo de Trabalho AH41 (High Voltage) do TC 31 da IEC, responsável pela elaboração de requisitos para equipamentos e instalações “Ex” em alta tensão (até 245 kV), em função da existência de projetos, pela PETROBRAS e pela STATOIL (Noruega) com estes níveis de tensão, em especial para alimentação de FPSO e Plataformas de Petrobras a partir de subestações em terra. Esta indicação pode ser considerada como sendo a primeira vez que um profissional brasileiro foi designado para ser um Coordenador de um Grupo de Trabalho do TC 31 da IEC.
Em 2013, durante as reuniões anuais do IECEx, realizadas na cidade de Fortaleza (CE), tive a oportunidade de apresentar o trabalho “” durante um Seminário promovido em nome das Nações Unidas,
Em 2015 tive a honra de ser condecorado com o Prêmio Internacional de Reconhecimento IEC 1906 Award, pelos trabalhos realizados em prol da normalização técnica internacional da IEC na área de eletrotecnologia.
Em 2017 obtive certificação internacional de competências pessoais pelo IECEx nas Unidades Ex 000 e Ex 001.
Tenho participado também ao longo de minha carreira de serviços de inspeções de campo de equipamentos e instalações elétricas, de instrumentação, de automação e de telecomunicações em atmosferas explosivas, em diversas Refinarias de Petróleo, Plataformas offshore, navios FPSO e plantas petroquímicas, no sentido de difundir aos profissionais envolvidos nestas essenciais atividades os devidos procedimentos de inspeção aplicáveis, de acordo com as normas técnicas brasileiras adotadas elaboradas pelas Comissões de Estudo do Subcomitê SC 003:031 do Cobei.
A partir de 2021 tenho atuado como um Consultor “independente” sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas, colaborando, com base em minhas experiências, boas práticas e lições aprendidas, além de envolvimento com setores de normalização e de regulamentação, com diversas entidades e empresas que atuam na área “Ex”, como fabricantes de equipamentos “Ex”, empresas usuárias de equipamentos e instalações “Ex”, empresas interessadas em obter certificação de serviços “Ex”, setores da indústria portuária e do agronegócio, atuando também como provedor de treinamentos “Ex” e como consultor sobre serviços de classificação de áreas, projetos e inspeções em áreas classificadas.

Você escreveu um livro chamado “O Ciclo total de vida das instalações em atmosferas explosivas”, em conjunto com uma equipe de especialistas. Pelas informações que obtive, é um livro muito completo, que todo profissional, tanto de execução como supervisão, recuperação e auditorias em atmosferas explosivas deveria ter na sua mesinha de cabeceira ou, até mesmo, andar com ele debaixo do braço. De onde surgiu essa ideia? Qual foi a sua fonte de inspiração? Quantos exemplares já foram vendidos?
A iniciativa e motivação para escrever um Livro sobre o tema “Atmosferas Explosivas” surgiu em 2015, com a proposta de elaboração de uma simples “Cartilha Ex” ou um pequeno “Livro de Bolso” contendo informações básicas e atualizadas sobre o tema, levando em consideração que as publicações existentes no Brasil haviam sido publicadas no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, com informações que necessitam ser atualizadas, sob os pontos de vista normativo e legal, em função do rápido desenvolvimento deste assunto, tanto no Brasil como nos demais países.
Com o desenvolvimento dos trabalhos, os dez autores verificaram a necessidade de apresentação de informações sobre diversos tópicos, incluindo assuntos relacionados com equipamentos e instalações em atmosferas explosivas, incluindo requisitos sobre equipamentos mecânicos “Ex” e requisitos para certificação de conformidade para empresas de serviços “Ex” e competências pessoais “Ex”, que estão em desenvolvimento no Brasil desde o início dos anos 2010.
Os dez autores do Livro são profissionais experientes em diversas áreas relacionadas ao tema “atmosferas explosivas”, como fabricação de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, usuários finais de equipamentos e instalações “Ex”, Organismos de Certificação de Equipamentos “Ex”, Organismo de Certificação de Empresas de Serviços “Ex”, Organismos de Certificação de Competências Pessoais “Ex”, Laboratório de Ensaios de Equipamentos “Ex” e Consultores independentes.
O Livro foi publicado em 2018, contendo 400 páginas e desde então tem servido aos seus objetivos de levar aos leitores e profissionais envolvidos com o tema “atmosferas explosivas”, informações atualizadas sob o necessário ponto de vista do “ciclo total de vida das instalações em atmosferas explosivas”.
São apresentados no Livro detalhes sobre requisitos de classificação de áreas contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, projeto, seleção de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, montagem, inspeção, manutenção e reparos de equipamentos “Ex”, em uma abordagem que vai além da simples preocupação com a certificação dos equipamentos “Ex”, na condição de “novos”, quando saem das fabricas.
De acordo com a Livraria Paco Editorial já foram vendidos desde a sua publicação milhares de exemplares do Livro, tanto na versão impressa como na versão eletrônica (E-Book), o que evidencia o sucesso desta obra junto aos profissionais interessados.
De acordo com informações recebidas este Livro tem sido utilizado como fonte de consulta de profissionais e empresas envolvidas com as atividades de fabricação de equipamentos “Ex”, projeto, montagem, inspeção, manutenção e reparo de equipamentos “Ex”, bem como por profissionais que buscam obter maiores conhecimentos nesta área, inclusive a certificação de suas competências pessoais “Ex”.
Você já passou por alguma situação de risco em ambientes de atmosferas explosivas?
Ao longo de meus quarente anos de carreira profissional envolvido com trabalhos de campo em equipamentos e instalações “Ex” nas indústrias de petróleo, petroquímica e portuária, já tive a “oportunidade” de estar presente em algumas situações de elevado risco em áreas classificadas.
Podem ser citados como exemplos, o envolvimento pessoal em execução de serviços em locais onde havia o vazamento de líquidos e gases inflamáveis, com a formação de grande extensão de área com a presença de atmosfera explosiva, onde era necessário o fechamento de válvulas de bloqueio de tubulações e de equipamentos de processo, de forma a conter a liberação dos produtos inflamáveis.
Houve situações também de execução pessoal de trabalhos em locais onde havia a perda de contenção por parte de tubulações de processo, com a ocorrência de vazamento de líquidos inflamáveis, com a presença de atmosferas explosivas, com a necessidade de procedimentos operacionais para conter os vazamentos e mitigar os perigos existentes no local.
Houve também casos de necessidade de inspeções de armazéns portuários com a presença de milhares de toneladas de nitrato de amônio, em mau estado de armazenamento e conservação, onde foi necessário dar uma destinação adequada ao produto, em situação similar àquela existente no porto em Beirute resultante da explosão em 08/2020.

Você acha, que, no Brasil, um país em desenvolvimento, o nível de segurança exigido é o mesmo que em países desenvolvidos?
Pode ser entendido que existem no Brasil requisitos normativos e legais que apresentam requisitos pertinentes para estabelecer um nível mínimo de segurança dos equipamentos e das instalações em atmosferas explosivas ao longo de seu ciclo total de vida.
No entanto, pode ser verificada a existência, nos regulamentos brasileiros sobre equipamentos e instalações “Ex” grandes “lacunas” ou “omissões” sob o ponto de vista de exigir as devidas competências das pessoas que executam ou supervisionam serviços em áreas classificadas. As Normas Regulamentadoras que são aplicáveis ao tema “instalações em atmosferas explosivas” especificam muito superficialmente e de forma insuficiente os requisitos de experiências, conhecimentos, treinamentos, competências e certificações requeridas relacionadas com a segurança destas instalações.
Este tipo de “lacuna” pode ser verificado na prática, nas inspeções que são feitas nos equipamentos e instalações em atmosferas explosivas, onde existe uma verdadeira “normalização de desvios Ex”, que foram introduzidos por profissionais que atendem minimamente a todos os requisitos aplicáveis especificados nas Normas Regulamentadoras pertinentes. Estes “desvios” verificados na prática em equipamentos e instalações “Ex” de campo são introduzidos também por empresas que prestam serviços de campo de montagem, inspeção, manutenção e reparo de equipamentos “Ex” que não conhecem as normas técnicas aplicáveis da Série ABNT NBR IEC 60079 (Atmosferas explosivas) e que não possuem procedimentos de trabalho ou profissionais em seu quadro de empregados que possuam os devidos treinamentos, qualificações, competências, experiências ou certificações necessárias.
Pode ser verificado, nas práticas, que as empresas brasileiras das indústrias de petróleo, petroquímica, portuária e do agronegócio estão elaborando suas próprias normas ou procedimentos internos sobre este assunto, além de incluir seus respectivos contratos sobre as exigências sobre certificação de competências pessoais “Ex” e certificação de empresas de serviços “Ex”, de forma obter a devida CONFIANCA que os serviços contratados serão devidamente realizados, de forma a atender os requisitos normativos existentes.

O meio ambiente deve ser muito castigado quando ocorre uma explosão numa plataforma de petróleo ou outros locais, como foi o caso da explosão de Beirute, em 2020, sem falar no número de mortos e feridos. O combate à redução de acidentes envolvendo fontes de ignição e explosões em áreas classificadas é eficaz, no Brasil?
A explosão ocorrida no armazenamento de milhares de toneladas de nitrato de amônio em Beirute resultou na morte de mais de 200 pessoas. A explosão da Plataforma Deep Water Horizon, no Golfo do México, em 2010, resultou em danos ambientais e multas no valor de centenas de milhões de dólares, além da morte de 11 pessoas. A explosão do FPSO Cidade de São Mateus, em 2015, no Litoral do Espírito Santo, resultou na morte de 9 pessoas, devido a uma fonte de ignição ocasionada por eletricidade estática em mangueiras de água de combate a incêndio.
Uma das medidas mais eficazes de combate à redução de acidentes decorrentes de fontes de ignição e explosões em áreas classificadas é a prevenção.
Existe a necessidade no Brasil de uma maior estrutura de auditorias, inspeções e fiscalização das empresas que possuem áreas classificadas, no sentido de verificar o devido cumprimento dos requisitos legais e normativos existentes.
Não basta a exigência dos certificados de conformidade dos equipamentos “Ex”, como é frequentemente verificado nas inspeções feitas por Órgãos Regulamentadores ou por Empresas Seguradoras, na medida em que muitas vezes os equipamentos “Ex” certificados são indevidamente instalados, mantidos, inspecionados ou reparados ao longo de seu ciclo total de vida, perdendo as suas características originais de proteção e representando fontes de ignição no caso de perdas de contenção ou vazamentos nos equipamentos de processo.
Uma forma mais efetiva de combate à redução de acidentes envolvendo fontes de ignição e explosões em áreas classificadas seria cobrar a devida “Gestão de Segurança” sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas, incluindo documentação de classificação de áreas, cadastro e inventario dos equipamentos “Ex” existentes e sistemática de inspeções periódicas destes equipamentos, de forma corrigir eventuais “desvios” que possam ter sido criados no campo, fruto de falhas humanas.

De acordo com suas experiências e lições aprendidas, que conselhos daria aos profissionais que trabalham em “áreas classificadas”, contendo atmosferas explosivas formadas por gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, que podem causar explosões e acidentes catastróficos? 

Tendo como base experiências e lições aprendidas ao longo dos últimos quarenta anos, sob o ponto de vista de segurança das instalações contendo áreas classificadas formadas por gases inflamáveis ou poeiras combustíveis, pode ser verificado, levando em consideração a grande quantidade de “desvios” nos trabalhos de classificação de áreas, projeto, montagem, manutenção, inspeção e reparo dos equipamentos e instalações em atmosferas explosivas, que são encontradas durante as inspeções periódicas das instalações “Ex”, que somente a certificação dos equipamentos elétricos ou mecânicos “Ex” não é suficiente para garantir a segurança destas instalações, e nem das pessoas que nelas trabalham.
Neste sentido, pode ser considerado um “MITO” o erro de entendimento de que a simples aquisição de equipamentos “certificados” possa garantir tal segurança.
É necessária a adoção de uma nova abordagem, sob o ponto de vista do ciclo total de vida das instalações em atmosferas explosivas, levando em consideração a necessidade de certificação prioritária das empresas de serviços “Ex” e das competências pessoais dos executantes e supervisores envolvidos em serviços em áreas classificadas.
Os profissionais envolvidos com a execução, supervisão ou fiscalização de trabalhos em áreas classificadas devem estar cientes dos riscos envolvidos nestas atividades, bem como devidamente experientes, treinados e competentes na aplicação dos requisitos especificados nas normas técnicas da Série ABNT NBR IEC 60079 (Atmosferas explosivas) e ABNT NBR ISO 80079 (Equipamentos mecânicos “Ex”), as quais representam a base para algumas Normas Regulamentadoras aplicáveis, como NR 10 (Segurança em equipamentos e instalações elétricas), NR 20 (Líquidos combustíveis e inflamáveis) e NR 37 (Segurança e saúde em plataformas de petróleo).

A Polar Componentes Brasil está formando uma grande parceria com você, um dos maiores especialistas em atmosferas explosivas, num evento on-line de capacitação profissional, que começa, agora, dia 15 de abril de 2021 e vai até janeiro de 2022. Qual a sua expectativa para esse evento? Explica como será a dinâmica desses webinários.
Certamente a informação é uma das grandes e melhores ferramentas para a elevação dos níveis de segurança dos equipamentos, instalações e pessoas envolvidas com áreas classificadas.
Neste sentido a série de Webinars “Ex” que serão realizados entre abril de 2021 e janeiro de 2022 irá contribuir para que os profissionais envolvidos com a execução, supervisão ou fiscalização de atividades de classificação de áreas, projeto de instalações, seleção de equipamentos “Ex”, inspeção, manutenção, reparo, revisão, recuperação de equipamentos ou instalações “Ex” bem como em auditorias em áreas classificadas possam estar mais bem informados, de forma a possuir um melhor entendimento dos assuntos envolvidos e possam executar seus trabalhos de forma mais consciente.
Estes Webinars “Ex” serão realizados de forma eletrônica, “on-line”, por meio de reuniões por computador, com apresentações “ao vivo”, com a presença do instrutor, que realizará os treinamentos programados, em 10 Módulos abordando temas “Ex” específicos, bem como à disposição para responder às perguntas e esclarecimentos das dúvidas e questionamentos que forem apresentados pelos participantes.
Pode ser esperado, destes Webinars, por parte dos participantes, um maior conhecimento dos problemas e soluções relacionados equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação, de telecomunicações e mecânicos em atmosferas explosivas, tendo como base experiências, lições aprendidas e boas práticas acumuladas ao longo das últimas décadas em áreas classificadas.

Entrevista concedida à Tânia Caldeira, em 09 de abril de 2021.

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